Câmara de Vereadores lotada para acompanhar votação (Jeronimo Molina/De Rossi Media)

Uma sessão histórica que não levou a nada

agosto 29, 2017

por — Postado em Caxias

Alguns disseram nas redes sociais que a sessão da Câmara de Vereadores seria histórica. De fato poderia (no futuro do pretérito) histórica. Com praticamente todas as cadeiras para o público lotadas, grupos contrários e favoráveis ao prefeito Daniel Guerra (PRB) se digladiavam em uma luta de palavras.

Na tribuna apenas dois vereadores discursaram no chamado Grande Expediente: Edi Carlos (PSB) e Ana Corso (PT). Ambos foram vaiados pelos apoiadores de Guerra que chamavam ambos de “golpistas”. Ora, se torna inclusive engraçado. Em sua maioria os apoiadores do prefeito foram os mesmos que um ano atrás pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff e tiveram a alcunha de golpistas dada pelos militantes do PT.

Por duas vezes a sessão foi suspensa pelo presidente da Casa vereador Felipe Gremelmaier (PMDB), que conduziu o preâmbulo de uma pretensa dolorosa via crucis política, que em nada adiantará para a cidade. Digo preâmbulo pois a bancada do PTB, representada pelo vereador Adiló Didomenico solicitou adiamento da votação para uma melhor análise do pedido de cassação do prefeito.

Em aparte o vereador Rodrigo Beltrão (PT) colocou que não existia ali coerência no discurso. Por isso se fazia necessária uma avaliação criteriosa do pedido de cassação.

Esse adiamento tem duplo sentido. Primeiro sentido é devido a divisão que se tornou a cidade entre o apoio estridente ao prefeito e diversos setores contrários.  Seria imprudente votar uma admissibilidade que pudesse logo a frente ser derrubada pela Justiça. Inclusive poderia servir de trampolim para Guerra alçar voos mais altos, como sugeriu pelo Twitter o presidente do PRB municipal Heron Fagundes, sendo reproduzido pelo jornal Pioneiro.

Mas sempre existe outro intuito. Assim como segundo sentido está o afastamento do prefeito. De acordo com a Lei Orgânica Municipal, o mandatário não seria afastado enquanto ocorriam os trabalhos na comissão especial para o impeachment. Dessa forma poderia ocorrer retaliações por parte do chefe do Executivo ou – quem sabe – pode esse realizar benesses para a população, mudando o sentimento dessa. Como eleitor é passional, seria um risco deixar isso acontecer.

Contudo, uma melhor análise do pedido pode também esfriar os ânimos da população, que andam exaltados. Se torna um ambiente extremamente hostil, ainda mais para quem está incumbido de votar para retirar um prefeito eleito por mais de 67% da população. Pensando nas eleições do ano que vem, ninguém quer ficar com a pecha de golpista ou pior que tenha votado errado.

População Dividida ou População em Silêncio

Logicamente a aprovação de Guerra continua em queda. Podemos observar nas redes sociais que populam comentários negativos ao prefeito. Não é por menos. Sua falta de diálogo e atitudes intempestivas levaram a esse rumo que se desenha.

Mesmo assim há quem o defenda – não se sabe por qual razão exatamente – levando o debate em torno do processo de cassação a níveis nada agradáveis. As mesmas redes sociais se tornaram um ringue de batalha semelhante aquele vivido em 2014 na eleição para presidente da República. São raras postagens que não acabem em xingamentos desmedidos.

Em um turbilhão de emoções eleitores convencionais, aqueles desligados da política, acabam ficando reféns. Sem chance de correr para algum lado, sem acabar fechando as portas para o outro lado, a grande maioria da população fica em silêncio. Se nota por aí um verdadeiro sentimento de derrota, pela escolha equivocada.

Ficar insuflando os sentimentos do eleitor somente piora a situação. A cidade não pode ficar parada, a mercê de interesses políticos que não favorecem senão o caos. Servindo de base o impeachment da presidente Dilma Rousseff, durante 8 longos meses o país parou. Imagine algo ocorrendo na cidade. Saltam aos olhos problemas: ruas esburacadas, escolas por abrir, UPA Zona Norte iniciando as atividades, iluminação pública deficitária, entre outros. Ficar quem sabe 6 meses na incerteza somente gera mais incerteza.

Uma cidade do porte que Caxias tem, sendo a segunda maior do Estado e metrópole da Serra Gaúcha não pode se dar ao luxo de agir como uma cidadezinha qualquer. Deve ter organização, direção, planejamento. Sem isso acabaram por findar os investimentos da iniciativa privada, logo depois reduzem mais os empregos e por fim viraremos uma Detroit versão tupiniquim.

Precisamos parar com o circo

Os vereadores, por motivos diversos, tiveram a prudência de não colocar mais lenha na fogueira. Mas a parcimônia tem limites. Portanto que votem de uma vez por todas tal pedido! Seja aceitando ou não a admissibilidade a cidade não pode ficar parada, precisa andar para frente.

Precisamos acabar com o circo de polêmicas, brigas sem fundamento, discussões banais, spray de pimenta e falta de diálogo. É urgente o caminhar para algum norte, para algum destino. Do contrário iremos acabar parando próximos a um precipício em marcha ré.

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